Imagem Audiência Pública debate políticas públicas que facilitem inserção de produtos locais no comércio

Audiência Pública debate políticas públicas que facilitem inserção de produtos locais no comércio

Câmara de Vitória da ConquistaAudiência PúblicaArquivo

23/05/2018 23:30:00


Na noite desta quarta-feira, 23, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista (CMVC) realizou uma audiência pública para discutir sobre políticas públicas para aquisição de produtos produzidos em Vitória da Conquista, por parte do comércio local. A audiência for solicitada pelo mandato do vereador Professor Cori (PT).

O vereador Cori destacou que o objetivo da audiência é conseguir esse entendimento e diálogo entre os empresários de matérias-primas e produtos destinados ao consumidor final, com os estabelecimentos de atacado e varejo instalados no comércio local. Ele defende normas que ouçam a todos e sejam construídas coletivamente. Cori indicou a prefeitura municipal a realização de um estudo para observar a viabilidade do fortalecimento do comércio local. “Para que dê a possibilidade de melhor comercialização a partir de uma política orientada. Para que o pequeno, médio e grande empreendedor estejam conectados em direção ao fortalecimento deste comércio”, defendeu.

O secretário municipal de Trabalho, Renda e Desenvolvimento econômico, Cláudio Cardoso, informou que atacará a sugestão do vereador Cori de desenvolver um estudo com objetivo de definir políticas que amplie a aquisição dos produtos das indústrias, pelo comércio local. Segundo o secretário, o estudo será ampliado para beneficiar todos os segmentos. “Nesse estudo não iremos apenas contratar um consultor e descobrir algumas estratégias, mas também identificar quais são as dificuldades que estas empresas encontram hoje pra colocar o seu produto no mercado”, disse.

Ele aponta como outro nicho importante a ser explorado o das compras governamentais. “O poder público é um grande comprador também, e a maioria dos produtos são de fora. É de interesse da prefeitura e dará oportunidade para os empreendedores se essa demanda for atendida pelos produtores locais”, sugeriu.

O gerente regional do SESI, Fabrício Vieira, ressaltou que a FIEB apoia ações que valorizem a indústria em todo o estado da Bahia e, logicamente, também na região sudoeste da Bahia. “As grandes redes não estão aqui à toa. Existe um ambiente favorável, uma economia forte, uma população com poder aquisitivo capaz de usufruir os produtos que estão ali expostos. Não vamos encontrar grandes redes onde não haja um ambiente propício para fazer girar essa economia. O município não deve nenhum favor a uma grande rede que se estabeleça”, apontou ele, ressaltando ainda que as indústrias instaladas na cidade produzem uma grande gama de produtos com boa qualidade. “No que a gente necessitar, tem uma indústria que fabrica. Conquista tem essa característica. Produtos muito bons, de qualidade muito elevada, um padrão ouro, que de fato, alguns desses produtos não estão nas grandes redes”, apontou.

Ele apontou que as grandes redes alegam dificuldades em serem atendidos pelas micro e pequenas indústrias em suas demandas, em geral grandes. Ele destacou que é preciso buscar melhores condições para aumentar a produção industrial no município. “Vitória da Conquista tem cerca de 55% do seu território destinado ao Distrito Indústria ocupado por invasões. Áreas que foram invadidas e viraram outra coisa que não a atividade industrial”, apontou ele como uma das coisas que precisam ser discutidas para melhorar as condições das indústrias locais.

A representante da Ordem dos Advogados – subseção Vitória da Conquista, Suilane Novais Lima, parabenizou a iniciativa da discussão do tema e frisou a quantidade de indústrias, sejam elas médias ou pequenas, que há no município. “Produzimos quase tudo aqui, e é notável a ausência desses produtos no mercado. É extremamente necessário essa discussão e busca por políticas que fomentem esse mercado”, disse. Ela desejou que medidas práticas sejam tomadas a fim de estimular os produtores locais. “Conquista é um polo, é importante para região toda, a tendência é que continue crescendo. E nada mais justo do que acreditar e incentivar as pessoas que são daqui. Oferecer condições para que permaneçam aqui. Para que baixe seus custos de produção, e isso seja extensivo ao consumidor final”, defendeu.

Membro da Cooperleite, Normando Gusmão destacou que a cidade possui um setor industrial pujante com mais de 600 indústrias. “Tanto nas fazendas como no centro e nos bairros da cidade nós temos produção de todo tipo de produtos”, apontou ele, que destacou que o grande desafio das indústrias locais é ganhar visibilidade e viabilidade.

Para ele o setor com maiores dificuldades atualmente é a cadeia produtiva do leite. “Com a chegada dos grandes atacados, eles têm comercializado produtos do sul do país, de outros estados e os nossos produtos regionais estão indo para o eixo Rio-São Paulo, para Recife, Salvador. O que a gente produz de melhor aqui a gente manda para os outros estados e o que às vezes não é tão bom vem de outros estados para ser comercializado em Conquista. Está havendo um contrassenso”, analisou ele, ressaltando a necessidade de uma mudança dessa condição.

O professor do Instituto Federal de Tecnologia da Bahia (IFBA), Alberto Rebouças, explicou que devido as determinações do livre comércio, não existe meio legal para proteger a indústria local. No entanto, ele aponta propostas para o fortalecimento das indústrias. Entre os pontos citados por ele, está o investimento em qualidade dos produtos. “É preciso ter qualidade, tem que competir com as grandes marcas”, disse. Ele aponta como exemplo os produtos da Tia Sônia, produzidos em Conquista. “A Tia Sônia compete com a Nestlé com qualidade igual nos seus produtos. Ela é referência de qualidade hoje”, afirmou.

Dentre os caminhos apontados pelo professor para uma melhor qualidade dos produtos, está o fortalecimento também do sistema de inspeção municipal. “Esse é o caminho para a indústria alimentícia ficar mais forte”. Mas, segundo Alberto, é necessário um sistema que faça um trabalho prévio, de conscientização, de instrução para essas empresas, evitando assim a suspensão de fornecimento por falta de qualidade”, disse.

Em nome do Grupo Chiacchio, Evandro Prates destacou a importância da discussão realizada pela Câmara Municipal, em busca de fortalecer o setor. “Se eu pudesse dizer em uma única palavra o que essa atitude fomentada por essa Casa representa eu diria que poderia ser ‘sustentabilidade’. Nós temos um potencial econômico regional muito grande. As redes que estão aqui instaladas fizeram um estudo muito bem fundamentado para estarem aqui. Como elas, outras também vão vir. Então, se nós não tomarmos iniciativas assertivas como essa ficaremos de fora de outras redes, cada vez mais deixando mais fraco o nosso mercado regional”, disse ele colocando o grupo à disposição para participar de discussões que tenham como objetivo o fortalecimento do setor industrial.





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