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Memorial

A Câmara Municipal de Vitória da Conquista, instalada em 9 de Novembro de 1840, é composta atualmente de quatorze vereadores. O Poder Legislativo funciona em dois espaços. No prédio histórico, na Rua Zeferino Correia nº 19, funcionam a Presidência, a Chefia de Gabinete, a Contabilidade e o Centro de Processamento de Dados/CPD. O prédio possui um auditório onde são realizadas as Sessões e outros eventos da comunidade. No prédio novo, na Rua Cel. Gugé nº 150, estão instalados os gabinetes dos vereadores, a Secretaria Geral, a Assessoria de Comunicação, a Tesouraria, o Almoxarifado, Recursos Humanos e o novo plenário, que abrigará futuramente as sessões do Legislativo.

PRÉDIO DA CÂMARA FOI TRINCHEIRA
NA GUERRA ENTRE MELETES E PEDUROS


O prédio onde funciona atualmente a Câmara Municipal, um dos últimos monumentos históricos da cidade, pertenceu ao coronel e pecuarista Maneca Santos. Foi construído em 1910 pelo mestre de obras Luiz Alexandrino de Melo, também conhecido como Luiz Pedreiro, natural de Salvador. Ele foi construtor também de outros edifícios de Vitória da Conquista, como o sobrado de Paulino Fernandes, demolido para dar lugar ao Banco do Brasil, do edifício da Cadeia Pública, hoje sede da Prefeitura, e do Solar dos Fonsecas.

Em 1960, o Município adquiriu o edifício dos herdeiros de Maneca Santos e o restaurou para servir de sede à Câmara de Vereadores. Na reforma, o edifício sofreu algumas intervenções: foi demolida a cozinha, que ficava ao fundo, houve mudança do piso inferior e foi construída uma nova escada (a antiga era helicoidal, ou seja, circular). Além disso, foram substituídas também algumas janelas da fachada e a porta principal, que estavam danificados.

No primeiro pavimento, a fachada do prédio contém cinco janelas e uma porta de entrada. O segundo contém seis janelas com sacadas em forma de púlpito de igreja, talvez o único em toda a arquitetura civil brasileira. Esse estilo de construção é peculiar à arquitetura religiosa. Embora de estilo neoclássico, o prédio ostenta púlpitos do estilo barroco, uma espécie de “ecletismo arquitetônico”, ou, como é denominado tecnicamente, um estilo kitsch – que consiste no empilhamento, em uma mesma obra, de diversos estilos.

Encimando o telhado, existem quatro estátuas, uma em cada esquina (moda portuguesa que chegou ao Brasil durante o período colonial). Outros edifícios da cidade também possuíram estátuas em seu telhado, como os da antiga prefeitura, chamado Paço Municipal (atual sede da Comdecon) e o Ginásio de Conquista (atual Museu Padre Palmeira). As estátuas, segundo alguns historiadores, representam as quatro estações do ano. Para outros, representam a Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança. Ainda há os que teorizam a possibilidade de as mesmas representarem os deuses Apolo, Mercúrio, Diana e Júpiter. “Para dirimir a dúvida, será necessária a realização de um estudo pormenorizado das características fisionômicas de cada uma das figuras, a fim de que possam ser identificadas corretamente”, avaliou o escritor Mozart Tanajura.

Fato curioso aconteceu neste edifício durante a luta política entre Meletes e Peduros. Serviu de trincheira para os Peduros, tendo os Meletes entrincheirado-se no Sobrado de Maneca Fernandes (situado onde hoje está o Banco do Brasil). Ambos os edifícios tiveram suas paredes perfuradas pelas balas.

O conflito armado ocorreu em janeiro de 1919, em decorrência das dissensões internas existentes no Partido Republicano Democrático, e que foram intensificadas após a morte do Coronel Gugé, liderança política que exercia influência sobre o partido e evitava rompimentos. Com a morte de Gugé, que mantinha o equilíbrio interno, as divergências se acirraram e os grupos passaram a, gradativamente, tornar tenso o cenário político local.

Os peduros, que representavam a situação, ou seja, eram ligados ao Cel. Gugé, utilizavam o jornal A Palavra para tecer críticas aos seus desafetos políticos. Os meletes respondiam às críticas através do jornal O Conquistense. Num determinado momento, a situação ficou insustentável e os grupos passaram a agredir-se mutuamente, culminando no confronto armado ocorrido em janeiro de 1919.