Imagem Divisão territorial envolvendo Conquista e Anagé é debatida na Câmara

Divisão territorial envolvendo Conquista e Anagé é debatida na Câmara


Na manhã dessa quinta-feira, 26, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista voltou a discutir a questão da Divisão Territorial de Vitória da Conquista, em audiência pública. A discussão, proposta pelo vereador Professor Cori (PT), acontece devido à Ação Direta de Inconstitucionalidade impetrada pela Prefeitura de Anagé, em 2012, que pede a revogação da Lei Estadual nº 12.564/2012, que atualiza os limites dos municípios que integram o território de identidade de Vitória da Conquista.

A área do território conquistense que está envolvida na questão corresponde a cerca de 20 localidades da zona rural, como Roseira, Boa Sorte, Tanque Velho, Poço Comprido, Catarina, Visão, Algodão, Boqueirão, dentre outras, que hoje abrigam cerca de 7 mil habitantes. Nesse conjunto, figuram partes dos distritos de José Gonçalves e Bate Pé.

Aproveitando a presença do atual Secretário de Agricultura, José William, moradores da zona rural do município puderam apresentar suas demandas e reivindicações.

A COMUNIDADE ENVOLVIDA QUE DEVE DECIDIR - Em relação a divisão territorial que envolve Vitória da Conquista e Anagé, o vereador Coriolano Moraes (PT) informou que este ano já esteve duas vezes na Assembleia Legislativa da Bahia para discutir sobre o tema. “Estamos lutando para que a Assembleia faça um decreto organizando o plebiscito para que a comunidade diga onde quer ficar”, contou. “Vamos lutar para continuarem pertencendo à Conquista”.

Cori falou ainda sobre as dificuldades que estão sendo enfrentadas pela zona rural. Dentre as principais está a questão das estradas e da falta de transporte escolar. “Sabemos que as estradas estão muito ruins. Patrolamentos estão sendo feitos de forma equivocada, apenas limpando superficialmente”, apontou. “Estive com a secretária de educação para falar sobre a falta do transporte escolar. Mostrei que o recurso já está lá, não tem o porquê ter atraso no pagamento dos motoristas. O que precisa é o planejamento da secretaria porque é uma atividade essencial para o acesso à escola”, pontuou.

ABANDONO DA ZONA RURAL - O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vitória da Conquista, Balbino Vieira dos Santos, afirmou que a audiência é um espaço importante porque propicia um debate, frente à frente, entre os moradores da zona rural e a Câmara. Ele frisou que o evento é fruto de uma solicitação do sindicato. Balbino lamentou a ausência de outros vereadores. “Será que estão com medo de nós?”, indagou. O sindicalista explicou que os participantes vieram com respeito à Casa com a intenção de apresentar as demandas da zona rural.

Em sua fala, o presidente relatou que ele e o vereador Professor Cori estiveram com o atual prefeito, Herzem Gusmão, logo no início do mandato, para apresentar os problemas e demandas da zona rural como recuperação de estradas, aragem de terra e acesso à água. para Balbino, quando o prefeito não atende o sindicato desassiste todo o campo e advertiu que o gestor deve esquecer as gestões anteriores e apresentar soluções para o município. “Xingação não leva pra lugar nenhum”, disse e emendou: “A zona rural está abandonada”.  Balbino relatou problemas em várias localidades como Olho D’Água que tem posto de saúde, mas está sem médico e a Limeira que sofre o mesmo problema e estradas ruins.

ARTICULAÇÃO PELA GARANTIA DO TERRITÓRIO - O ex vereador e secretário de agricultura, atualmente coordenador do escritório regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Arlindo Rebouças, falou da sua luta e comprometimento para que o distrito de José Gonçalves, e parte de Bate Pé, Lagoa da Jiboia e São Sebastião continue pertencendo a Vitória da Conquista. Ele conta que faz parte também do comitê só censo agropecuário regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e conseguiu, no último censo, garantir que essa região entrasse como pertencente ao município.

Rebouças falou ainda sobre a sede do escritório do Incra, a qual o prefeito Herzem Gusmão se comprometeu em ceder a estrutura e o funcionamento da coordenação, no entanto, recentemente comunicou que a prefeitura não dispõe de espaço físico. “E nós sabemos que isso é má vontade. Ele não está contra o coordenador, e sim contra o homem do campo”, afirmou.

APELO POR MAIS ATENÇÃO A ZONA RURAL - A representante da Central das Associações Rurais, Lídia Márcia, cobrou mais atenção para a zona rural de Vitória da Conquista. Ela chamou atenção para a baixa representatividade de vereadores presentes na audiência pública. “Eu creio que nem todos os vereadores estão ocupados nesse momento para que não possam estar presentes nessa audiência pública. Isso é uma falta de vergonha para com os trabalhadores de agricultura familiar”, lamentou ela.

De acordo com ela, a situação da zona rural é de abandono, com dificuldades estruturais nas escolas, estradas em más condições de conservação e com mato alto, além de postos de saúde fechados ou mal cuidados. “Nós da zona rural estamos indignados com a situação em que se encontra a nossa zona rural. É ônibus quebrando, é mato, falta de roçagem. A situação das escolas, tem posto de saúde que está só o mato. Os postos de saúde estão com as portas cheias de mato. Agentes de saúde que saíram e não colocaram outro no lugar. Um descaso total”, apontou ela.

Antes de finalizar, Lídia Márcia cobrou dos vereadores maior presença na zona rural para que possam fiscalizar a aplicação dos recursos nos distritos e comunidades rurais do município.

VOTO DE CONFIANÇA - O secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural, José Willian, afirmou que está se informando sobre os problemas da zona rural e reconheceu que o ex-secretário da pasta, Arlindo Rebouças, enfrentou muitos problemas e seria humanamente impossível resolvê-los com a situação dos maquinários encontrados. Willian também reconheceu as críticas e afirmou que o prefeito é bem-intencionado. “O prefeito está empenhado em me dar condições para que eu possa prestar um bom trabalho a vocês”, disse.

O novo secretário pediu paciência à população do campo. “Me deem um crédito de pelo menos 60 dias. A partir daí vocês irão ter resultados”, falou. Ele lembrou que o município é extenso, possui muitos povoados e distritos e cada um com suas peculiaridades. José Willian afirmou que pretende fomentar o acesso dos agricultores à linhas de créditos.

“PARTE DA ZONA RURAL AINDA ESTÁ ABANDONADA, MAS  TRABALHO ESTÁ SENDO FEITO - O vereador Edjaime Rosa Bibia (MDB), Líder da Bancada de Situação, afirmou que as solicitações apresentadas na audiência são justas. Ele explicou que teve um problema que acabou o atrasando para o evento. O vereador afirmou que uma parte da zona rural ainda está abandonada, mas o trabalho será feito. Bibia lembrou que o desabastecimento de água no campo é tema recorrente na Casa e os vereadores têm se esforçado para ajudar. Foi o vereador Professor Cori, relatou Bibia, que apontou a existência de um recurso para combate à seca, ferramenta até então ignorada pela atual gestão. Bibia ainda alertou a Secretaria de Educação para uma solução sobre a regularização do transporte escolar rural. “Eu já vou enviar diretamente cobrança à Selma [Oliveira] que resolva o problema dos motoristas na zona rural”, falou.

REIVINDICAÇÕES - Vitória Ramos, do povoado de Farinha Molhada, falou da sua insatisfação com a gestão de Herzem Gusmão. “Vejo que Conquista não tem prefeito. Estive em Condeúba e Piripá e vi estradas boas e que lá tem serviço. E em Conquista estava fazendo dó”, disse. Em relação à situação das estradas do município, ela ainda afirma: “Toda vez que nossos filhos vão para escola, ficamos apegados com Deus para não acontecer acidente nas estradas”.

Falando como representante da região de Boqueirão, Seu Jovelino, disse ao secretário municipal de Agricultura e Desenvolvimento Rural, José Willian, que confia na sua capacidade de trabalho e se colocou à disposição para auxiliar no que for necessário. “O que for possível, eu ajudo vocês”, disse ele aos representantes do Executivo Municipal. Ele apontou que há um buraco muito grande na estrada do Boqueirão, que precisa da atenção do poder público para evitar um acidente grave.

Jovelino cobrou ainda a extensão da energia elétrica para a população da região do Boqueirão e lembrou que a zona urbana é boa, mas que precisa que a zona rural produza o seu alimento. “O comércio é bom, mas tendo as coisas pra comer”, disse ele.

O morador da Fazenda Baixa Grande, Carmerino dos Santos, afirmou que “estamos numa situação difícil” na zona rural. Ele ponderou que dos 21 vereadores eleitos, são poucos os que visitam as comunidades. “Até agora não foi um caminhão de água. Tamo entrando na seca. Dizem que o Exército tirou tudo. Mas ficamo é bebendo água da lama”, denunciou. Carmerino relatou problemas de sua comunidade e criticou a gestão municipal. “Nós temos quase um ano e meio de governo que ninguém sabe o que é o governo”, falou.

Nailton Vieira da Rocha, diretor Financeiro do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, acredita que o governo municipal deve dar mais atenção à Secretaria de Agricultura. “Às vezes o secretário quer trabalhar, mas não recebe a máquina, não tem o recurso”, pontuou. Ele reforçou a importância do poder executivo dar mais assistência a zona rural. “Todos queremos uma cidade limpa e organizada, mas as pessoas precisam achar o que comer, e isso é produzido na zona rural”, disse. “Tenho certeza que com a zona rural bem atendida, produzindo, com saúde e educação, toda a cidade vai crescer”, frisou.


Representante do povoado de Xavier, Vitória Alves dos Santos, apontou que o Governo Herzem representa um retrocesso. Ela cobrou dos vereadores que busquem fiscalizar a atuação do Executivo Municipal na zona rural. “A gente viveu um retrocesso. Cadê os nossos vereadores e vereadoras?”, questionou ela.

Segundo ela, apesar do otimismo do secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural, José Willian, ela não acredita em grandes melhoras, porque o atual prefeito não tem demonstrado conhecimento suficiente para governar a cidade, oferecendo qualidade de vida para a população rural. Vitória reclamou da má qualidade do transporte escolar, das estradas da região, da má distribuição dos recursos do projeto Palmas para Conquista e do fechamento de escolas.

O morador da Fazenda Lagoa das Pedras, distrito de José Gonçalves, Gilberto Almeida Sampaio, afirmou que representa o transporte de passageiros e o escolar da zona rural. Em sua fala, relatou problemas, especialmente a situação precária das estradas que causam insegurança ao trânsito no campo. Ele lembrou que que esses veiculam transportam, diariamente, pessoas e produtos. Gilberto relatou que só aconteceram patrolamentos de vias na gestão do ex-secretário Arlindo Rebouças. “

Outra situação agravante, segundo Sampaio, é o transporte clandestino, denunciado há anos à prefeitura, mas sem solução ainda. O profissional explicou que quem trabalha de forma regular vem investindo em melhoramentos na frota e, em sua maioria, são da zona rural. Ele ainda cobrou a regularização salarial dos que atuam no transporte escolar da zona rural. “Nós estamos trabalhando há dois meses do início das aulas e até agora não recebemos salário. Não paramos por isso”, denunciou.

O jovem Cleber Lima, do quilombo de Furadinho, falou sobre a falta de assistente do governo municipal a juventude da zona rural. Ele cobra mais espaços de esporte e lazer e um trabalho efetivo com a juventude, através de cursos e profissionalização. Ele se queixa também da situação das estradas. “Nós sabemos que horas vamos sair, mas nunca que horas vamos voltar. Carro chega atrasado na escola, quebra. Não acredito, que Conquista do tamanho que é, tenha estradas assim”, disse. Para Cleber, a falta de atenção à população jovem da zona rural, é o principal motivo de migração para zona rural. “Não tem trabalho efetivo para os jovens, não tem água para plantar, não tem saúde. E aí os jovens vêm para a cidade e passam a sofrer com os índices de violência”, disse.

Daniela Chaves, do quilombo de Furadinho, apresentou cobranças quanto à necessidade de maior assistência dos técnicos do governo para os agricultores familiares. “Nós agricultores não temos assistência técnica para avançar com a nossa agricultura”, disse ela. “Queremos mais qualidade, queremos respeito com os nossos agricultores, com as nossas famílias. Idosos carregando lata de água na cabeça porque não tem mais condições de ficar sem água. Nós pagamos impostos e queremos também os nossos serviços”, concluiu Daniela Chaves.



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